segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Martha Bernays Freud

“O de que precisamos resume-se em dois ou três pequenos quartos, onde possamos viver e fazer as nossas refeições e receber um hóspede, e de um aparelho para cozinhar de que a fumaça não saia para fora. E haveremos de ter os complementos caseiros necessários: mesas e cadeiras, camas de dormir, um espelho, um relógio para lembrar aos felizardos a passagem do tempo, uma cadeira de balanço para um momento de agradáveis devaneios, tapetes a fim de que a Hausfrau possa facilmente manter a casa limpa, um jogo de roupas de linho amarradas com laços caprichosos e guardadas nas suas prateleiras, roupas da última moda e chapéus enfeitados com flores artificiais, quadros na parede, copos para o serviço diário comum e para o vinho nas ocasiões festivas, bandejas e pratos, uma despensa para quando tivermos uma fome repentina ou para atender a um hóspede inesperado, uma grande penca de chaves que devem tilintar barulhentamente. Há tanta coisa de que podemos tirar proveito: a estante de livros e a cesta de costura e a lâmpada amiga. [...] E essa coisa deve ser testemunha do trabalho sério que sustenta a casa, aquela outra o sinal da estima pela beleza, de amigos queridos de quem se lembra com satisfação, de cidades que a gente visitou, de algumas horas de que a gente gosta de se recordar. Todas essas coisas formam um pequeno mundo de felicidade, de amigos silenciosos e ficam sendo emblemas de uma honrosa humanidade.”


Trecho de uma das cartas de Freud à Martha, no período do noivado.