quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Um dia eu havia de perguntar aos açougueiros se o ofício de magarefe não revelava uma alma predisposta a matar um ser humano. Protestaram: 'Quando a gente sacrifica um animal não se atreve a olhá-lo nos olhos.' Um deles me disse que não podia comer a carne do animal que degolava. Outro me disse que não seria capaz de sacrificar uma vaca que tivesse conhecido antes, e muito menos se houvesse tomado seu leite. Lembrei-lhe que os irmãos Vicário sacrificavam os mesmos porcos que criavam, tão familiares que os distinguiam por seus nomes.[..] 'Agora repare que não punham nome de gente neles, mas de flores'." 


Gabriel García Márquez, Crônica de Uma Morte Anunciada.