"Quando alguma coisa escapa da nossa consciência esta coisa não deixou de existir, do mesmo modo que um automóvel que desaparece na esquina não se desfez no ar. Apenas o perdemos de vista. Assim como podemos, mais tarde, ver novamente o carro, assim também reencontra-se pensamentos temporariamente perdidos. Parte do inconsciente consiste, portanto, de uma profusão de pensamentos, imagens e impressões provisoriamente ocultos e que, apesar de terem sido perdidos, continuam a influenciar nossas mentes conscientes. [...] Se observarmos o comportamento de uma pessoa neurótica podemos vê-la fazendo muitas coisas de modo aparentemente intencional e consciente. No entanto, se a questionarmos descobriremos que ou não tem consciência alguma das ações praticadas ou então que pensa em coisas bem diferentes. Ouve mais está surda, vê mas está cega, sabe e parece ignorante. Estes exemplos são tão frequentes que o especialista logo compreende que o que está contido inconscientemente comporta-se como se fora consciente e que nunca se pode ter certeza, em tais casos, de pensamento, fala ou ação conscientes ou não.A imagem é uma sátira ao misoneísmo pelo humorista Americano James Thurber, cuja tia, segundo ele, tinha medo de que a eletricidade estivesse vazando por toda a casa.
O Homem e Seus Símbolos, Carl G. Jung.