terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Mesmo imóvel, pressentia a recuperação de um jeito de sorrir que tivera, fechar os olhos, jogar os cabelos para trás, roer unhas, caminhar devagar olhando vitrines sem olhar vitrines: molécula por molécula, célula por célula, recuperava integralmente todo um ser antigo. Como se nunca houvesse saído dele. E mais que gesto, mais que movimento ou forma: aquele brilho escorregando dos olhos, aquele calor, não, calor não - tepidez, isso: aquela tepidez que faria com que as pessoas se aconchegassem lentas, tangíveis, ao alcance da mão."

Caio Fernando Abreu.
Felicidades pra minha pequena.